Secretário de Turismo de Casimiro de Abreu, Vespa Luz, fala sobre expectativas para o setor

O Secretário de Turismo e Eventos de Casimiro de Abreu/RJ, Vespasiano Luz (Vespa), em entrevista ao Rotas RJ, conta sobre sua trajetória profissional e fala sobre as expectativas para fomentar o turismo no município.

Rotas RJ: Como recebeu o convite para gerir a secretaria de Turismo de Casimiro de Abreu?

Vespa: Com surpresa e gratidão. O prefeito Ramon (CIDADANIA) foi eleito com mais de 60% dos votos, o que, se de um lado, é motivo de orgulho, de outro, lhe (nos) traz grande responsabilidade. A escolha do secretariado foi muito criteriosa e, para mim, uma honra ter sido escolhido para uma pasta tão importante e desafiadora: Turismo e Eventos.

É público que vivemos as turbulências da pandemia, um enorme problema de saúde e da economia, assim como da geração de trabalho e renda. Mas é também uma oportunidade que nos obriga a darmos dois passos atrás, repensarmos não só nosso modo de vida individual e coletivo, como nossas sobrevivências sustentáveis enquanto pessoas e cidades.

Durante algumas décadas nossa região viveu basicamente do Turismo e dos royalties do petróleo. Estes últimos, além de virem se reduzindo ano a ano, tendem a acabar, não pela falta de petróleo, mas pelo avanço de tecnologias e energias limpas. Já o Turismo se apresenta como a principal fonte de receita, trabalho, renda e lazer à nossa população para o futuro, em curto, médio e longo prazo.

E é esse o desafio que o prefeito Ramon me deu o privilégio de enfrentar. A mim e a meu amigo Lucas Couto que está sendo um forte aliado como subsecretário. Estamos absolutamente submersos em entendê-lo holisticamente, criando pontes com a Cultura, o Esporte, a Educação, o Meio Ambiente, o Trabalho e Renda, a Assistência Social, sem esquecer, claro, das demais secretarias de apoio, como Posturas, Ordem Pública, Planejamento etc.

Nosso foco tem sido compreender o momento e suas dificuldades, nos preparando, pari passu, para a retomada das atividades com a redução dos riscos pandêmicos e a total erradicação do vírus.

Rotas RJ: Você se sente preparado para o cargo? Diga quais os cargos municipais que você já ocupou e o período.

Vespa: Sempre tem o frio na barriga, né? Aquele que, dizem, ataca os atores na coxia, até entrar em cena. Com toda sinceridade eu nunca me senti preparado para nada. Sempre me senti aquém e deslocado por onde passei. Tenho gastado um bom dinheiro com terapia para resolver essa questão, mas com a idade a gente se acostuma a algo que não se trata de baixa estima, mas de certeza da máxima da economia: necessidades ilimitadas para recursos escassos.

Na minha idade, não existe mais vaidade juvenil. Confesso, sem a menor vergonha na cara, a minha ignorância. Ela é imensa, maior do que o mundo. Admito com uma certeza ainda superior àquela que acometeu Sócrates, quando foi indicado pelo Oráculo de Delfos como o homem mais sábio do mundo. Ele retrucou: – Só sei que nada sei. Se ele, indicado pela pitonisa, teve essa resposta, eu a dou com muito mais tranquilidade. Até porque a ignorância tem cura. Ao contrário da burrice e da falta de caráter. O ignorante sabe que é ignorante e busca aprender. O burro acha que já sabe tudo e recusa o que não lhe convém, principalmente, nesses tempos bicudos de pós-verdade.

Sobre cargos ocupados, mais de 90% da minha vida profissional foi na iniciativa privada, em agências de publicidade, empresas de TI, veículos de comunicação, empresas de pesquisa de opinião, prestando consultoria, muitas vezes a empresas públicas, prefeituras, governos. Já estive dos dois lados do balcão. Fui também secretário de Comunicação de Macaé, durante o finalzinho do governo Riverton, em 2011/12. E por alguns curtos meses subsecretário de Comunicação de Itaguaí.

Rotas: Quais as metas para os próximos quatro anos? Qual a expectativa?

Vespa: São muitas. Há todo um plano de governo a ser cumprido. Nós temos um calendário de eventos. Mas temos também a pandemia. Tudo precisa ser pesado. Hoje, estamos nessa primeira semana, em fase de gestação: conhecendo a equipe, entendendo as capacidades individuais de cada um e como transformar isso em sinergia, onde a força gerada pelo grupo é maior do que a soma das forças individuais.

Penso num Turismo mais planejado, para que possamos qualificar nossos visitantes, de forma que consumam realmente no trade (bares, restaurantes, hotéis, pousadas, serviços turísticos da cidade) bem como nos mercados, farmácias, comércio local. E não sejam apenas visitantes. A cultura rasa do Evento tem isso, né? É vento… passou ninguém lembra, não deixa nada para o município.

Cito sempre os exemplos do Jazz & Blues Festival de Rio das Ostras, da FLIP de Paraty, do Festival de Cinema de Gramado. São grandes eventos que criaram um “branding” para essas cidades.

Creio que esse será o grande desafio/meta do governo de Ramon. Criar um posicionamento para que o município possa ser percebido e diferenciado entre os mais de 5 mil outros do Brasil. Buscando nos manter, no conceito de Michael Porter, abraçando nossa vantagem competitiva: “Difícil de imitar; Única; Sustentável; Superior à competição; Aplicável a múltiplas situações”.

Temos a Serra, com o Rio Macaé e suas corredeiras; rafting; pousadas; natureza; passarinhos incríveis como o picapau amarelo e o tiê sangue entre tantos; área verde de Nova Friburgo de um lado, o Sana e Macaé de outro e; vindo descendo, temos Professor Souza, Rio Dourado, Boa Esperança com suas especificidades e Barra de São João, com seu Praião e sua Prainha, além de uma herança de valor inestimável, que é o casario histórico, hoje abandonado, assim como o Museu de Casimiro de Abreu e a capela de São João Batista que, em 2021, completará 402 anos. A reforma, manutenção e vivificação desse patrimônio é meta de nosso plano de governo. Vamos trabalhar com afinco para que a falta de recursos, a burocracia e as dificuldades naturais sejam superadas e consigamos realizar esse sonho, sob as bênçãos de Deus.

Rotas: Sobre os eventos tradicionais, tem alguma novidade?  Passado o decreto e/ou a chegada da vacina, todos voltarão a ser realizados?

Vespa: Não basta chegar a vacina, ela tem de se provar eficaz. No Brasil, ao contrário de outros países do mundo, creio que não estamos vivendo uma segunda onda do COVID, em minha sempre ignorante opinião, trata-se ainda da primeira, depois de um pequeno retrocesso. O negacionismo que estamos enfrentando no país todo, e em nossa região em particular é assustador. Ainda semana passada, houve caso de enfrentamentos da população, comerciantes e Guarda Municipal, PM, Posturas etc, aqui na Costa do Sol, em mais de um município. Praias lotadas, desrespeito ao distanciamento recomendado pela OMS e pelas autoridades federais, estaduais e municipais de saúde, zero uso de máscara.

Os governos devem dar os bons exemplos. Principalmente em nossa região onde recebemos muitos turistas nessa época do ano já naturalmente, e agora, inclusive, vindo passar “férias” graças ao “isolamento social” e à quarentena imposta em seus respectivos locais de moradia e trabalho. Lembrando que por aqui não temos capacidade de atendimento, leitos, respiradores e UTIs para garantir a vida das pessoas, sejam munícipes, sejam visitantes.

Temos estado e buscado contato com todos os níveis de governo e autarquias, bem como com a iniciativa privada do trade turístico e associações como o Convention  & Visitors Bureaux; o Conselho de Desenvolvimento de Turismo (CONDETUR); o Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento do Leste Fluminense (CONLESTE) etc.

Então, o calendário está aí, pronto, os processos em andamentos, o planejamento acontecendo não só para sua execução, mas para sua ampliação e adequação ao que me referi acima, na geração de um posicionamento próprio que nos permita mostrar nosso diferencial e atingir um público-alvo desejado.

Estamos trabalhando para que o comércio consiga continuar vendendo, para que o setor de bares, restaurantes e pousadas em particular não quebrem, e que com isso não se aumente o desemprego. Mas com responsabilidade de quem sabe de que a vida humana é mais importante do que a economia, a segunda não existe sem a primeira.

A história nos prova que não há mal que sempre dure e isso também vai passar. A flexibilização pode se dar aos poucos, conforme as bandeiras forem passando de vermelha para cores mais amenas. E isso nos permitirá fazer eventos de qualidade regulares, menores e, aos poucos, retomando os eventos maiores.

Para isso contamos com a ajuda da população, de vocês dos meios de comunicação, com os colegas dos governos nos seus diversos níveis, com o empresariado, prestadores de serviços, profissionais liberais e autônomos e, principalmente, com o apoio Daquele que está no comando.

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.