Dia Nacional da Cultura

Nascemos viajando.Nosso primeiro tour é dentro do ventre materno.Já sentimos algumas emoções e quando temos contato com o mundo,começamos a viagem da aculturação. A de incorporar padrões de cultura que nos são ensinados e impostos mas que permitem nossa sobrevivência social.Ao longo dos anos,se tivermos a possibilidade de viajar,temos a oportunidade de apreciar novas formas de viver e amar,construir,embelezar e gritar por socorro,quando vemos as incongruências da Humanidade.

Quando o caminho nos leva a morar fora de nosso país ou simplesmente de nosso eu comunitário,nossa mente vai se abrindo e nos mostrando o quanto o mundo é plural e como é vital respeitar distintos modus vivendi e opções de afeto e de luta.A vida é uma luta diária e titubeando ,vamos nos acercando de uma constante busca de conhecimento.Não paramos nunca.Respiramos na plenitude, encontros sensoriais e censoriais com ética ,prazer ,reconhecimento e assim forma-se a cultura básica,que vai nortear um pouco nossos amanheceres em poesia.

Acordamos todos os dias com fé na retomada,no recomeço ,na democracia e no surgimento de algumas verdades necessárias para mudar os rumos de alguns aprendizados.Temos que ler,olhar a imensidão da natureza,ouvir música,assistir balés,caminhar na liberdade ,sem nenhum dogma absoluto,com nossas crenças ,formadas em vivências individuais,em grupo ou em família.

Não temos medo de errar e não nos deixamos seduzir por salvadores da pátria,cujo único próposito é confundir nossa cabeça com seus espetáculos contraproducentes de ofensa ao universo histórico e solidário.Temos uma história ou estória a contar.Cada um de nós viveu momentos de angústia e de felicidade ,que resultaram em vozes em movimento,em arte,em livros,em textos.quiça em momentos de intercâmbio em nossa terapia,nas conversas com Deus ou no sorriso esboçado quando nos invade o tremor da luz interior.

Hoje,celebramos o dia nacional da cultura.Não como gostaríamos.A pandemia mudou nossa forma de nos relacionar e nos fez voltar ao ventre materno,para refletir.Sem poder viajar ,encontramos nos pequenos deslocamentos e caminhadas uma maneira sutil de retomada de esperança.

Cultura é resiliência,pré disposição para voar muito alto e aterrizar em sítios históricos e emocionais no terremoto que nos acolhe .Período difícil para o país,em que se pensa até em vender nosso patrimônio,como o Capanema,espalhar ódio e fakenews para formar uma legião de abrutecidos pela não ciência.

Vamos acreditar, que o processo de emancipação cultural criado em nossas mentes mais abertas seja uma semente de fé ,na terra açucarada e cheia de ideais,que o mundo nos traz e que ninguém há de nos retirar do sonho de um pássaro recitando e mostrando fé.

Bayard Do Coutto Boiteux é professor universitário,escritor,pesquisador,cidadão do mundo,vive a luta diária da reconstrução,em seu emprego publico e na Associação dos Embaixadores e Instituto Preservale,onde voluntariamente tenta contribuir para uma discussão profícua.

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